O verão de 2026 traz uma resposta estruturada a um dos temas que mais preocupa os viajantes franceses: a 8 de julho de 2026, a Bureau Veritas Certification, em parceria com a PROSANE (Associação dos Profissionais da Proteção da Saúde e dos Ambientes) e a SEDCPL (Sindicato dos Especialistas em Deteção Canina de Percevejos), lançou o «Bed Bugs Project», o primeiro rótulo francês de gestão de riscos e infestações de percevejos destinado aos alojamentos turísticos comerciais. Para os viajantes, gestores de arrendamentos mobilados e hoteleiros, é uma mudança concreta: um referencial vinculativo, uma auditoria anual e um compromisso de intervenção em menos de 48 horas. Eis o que muda, a quem diz respeito e como verificar que um estabelecimento está realmente certificado.
Porquê um rótulo nacional em 2026
A pressão está agora quantificada. Segundo o inquérito PROSANE realizado em abril de 2026 junto de 35 profissionais em todo o território metropolitano, 60% das intervenções contra percevejos concentram-se entre julho e setembro, e 1 em cada 5 intervenções diz respeito ao setor turístico ao longo do ano. Repartição dos dossiers turísticos:
- Hotelaria tradicional: 44% das intervenções
- Arrendamentos mobilados de temporada: 29%
- Residências turísticas e aparthotéis: 15%
A isto acresce um sinal estrutural: os pedidos de diagnóstico em habitação coletiva dispararam 300% em 2025, sinal de uma difusão mais vasta do que a simples hotelaria. O rótulo visa precisamente transformar uma gestão até aqui reativa em prevenção reconhecida, num contexto em que a resistência aos piretroides está documentada em cerca de 80% das populações de Cimex lectularius e em que o custo social e económico das infestações é estimado em mais de 230 milhões de euros por ano em França (INRS).
O que muda com o rótulo «Bed Bugs Project»
O rótulo assenta numa auditoria anual estrita (não uma autodeclaração) e dirige-se a hotéis, clubes de férias, residências turísticas e parques de campismo. Impõe seis exigências cumulativas que, em conjunto, distinguem um estabelecimento empenhado de uma simples afirmação de marketing.
1. Designar referenciais internos
O estabelecimento deve nomear um referencial de Qualidade e um referencial Percevejos, encarregues da correta aplicação do protocolo e da rastreabilidade dos relatos. É a condição para que uma suspeita um domingo às 22 h despolete o reflexo certo e não uma rápida aspiração do colchão.
2. Manter um registo de suspeitas e deteções
Cada relato — venha de um cliente, de um empregado ou de um controlo de rotina — deve ser registado com data/hora, localização precisa e ações de seguimento. Este registo serve de base à auditoria, mas sobretudo à deteção precoce: uma infestação detetada em 72 h custa infinitamente menos do que uma detetada três semanas mais tarde.
3. Enquadrar a gestão das reclamações dos clientes
O rótulo impõe um protocolo escrito para tratar uma reclamação: confirmação em 24 h, proposta de realojamento, ativação do diagnóstico, comunicação transparente com o cliente afetado. O objetivo é evitar a estratégia de negação, que sai cara em e-reputação e em processos judiciais.
4. Impor um diagnóstico anual por deteção canina certificada
Todos os anos, o estabelecimento deve fazer realizar um diagnóstico por uma empresa de deteção canina certificada, titular da certificação «Reconnaissance Punaise Expertise» do SEDCPL. A fiabilidade dos cães ronda os 95-98% em infestações ativas, muito acima da inspeção visual isolada. Esta passagem anual cobre as zonas de risco: quartos de rotação rápida, zonas comuns, roupa de cama em reserva, mobiliário de receção.
5. Comprometer-se a uma intervenção em menos de 48 h
Em caso de deteção confirmada, o estabelecimento compromete-se contratualmente a chamar uma empresa de desinsetização certificada CEPA (Confederação Europeia das Associações de Gestão de Pragas) em 48 horas. É a medida que muda mais concretamente a situação para o viajante: acabou a espera de uma semana, acabou o «tratámos nós próprios com um spray».
6. Comunicar de forma transparente
O rótulo exige uma indicação clara do nível de certificação nos suportes de reserva e no estabelecimento. O objetivo é tornar o compromisso verificável: um cliente deve poder saber, antes de chegar, se o hotel passou a auditoria e em que data.
A quem diz respeito o rótulo
O âmbito do rótulo está deliberadamente centrado nos alojamentos turísticos comerciais: hotéis, clubes de férias, residências turísticas, parques de campismo. Não abrange, por agora, os arrendamentos entre particulares tipo Airbnb (sujeitos a outras obrigações, nomeadamente da lei Le Meur de 2024) nem o alojamento de urgência, que dispõe dos seus próprios protocolos. Esta distinção é importante: um Airbnb não pode exibir o rótulo «Bed Bugs Project», e isso é bom para a clareza.

O que o rótulo não faz
Sejamos claros sobre o que o rótulo não é:
- Não é uma garantia zero percevejos: um estabelecimento certificado continua a ser um local de passagem, e o risco zero não existe. O rótulo reduz a probabilidade de infestação não detetada e garante uma reação rápida.
- Não é um certificado CEPA para a hotelaria: a CEPA certifica as empresas de desinsetização, não os hospedeiros. O rótulo apoia-se na CEPA como exigência para os prestadores, sem a substituir.
- Não é um dispositivo obrigatório: nenhuma lei impõe a certificação em 2026. É um compromisso voluntário, valorizado pelas plataformas de reserva e pelas seguradoras.



