Introdução: a praga que nunca se ouve chegar
As pragas que fazem entrar as famílias em pânico são ruidosas, visíveis ou urticantes: um rato na cave, percevejos num colchão, um ninho de vespas debaixo de uma telha. As que custam mais caro, no entanto, quase não se manifestam. Os insetos xilófagos — aqueles que se alimentam da madeira ou nela abrem galerias — trabalham durante anos longe do olhar. Quando um proprietário descobre o problema, é muitas vezes porque uma madre do telhado cedeu, porque um aro de porta afunda sob a pressão do polegar ou porque um artesão enfiou uma chave de parafusos numa viga que já não tem interior.
O outono é a estação certa para esta verificação. Os sótãos estão acessíveis antes das arrumações de inverno, as madeiras terminaram o seu ciclo de secagem estival, os insetos adultos deixaram de voar e os vestígios do ano ainda estão frescos: serradura, orifícios de saída, túneis de terra. É também o momento em que as formigas carpinteiras procuram passar o inverno numa estrutura aquecida e em que as suas colónias se tornam detetáveis de outra forma que não um voo nupcial fugaz.
Este artigo não é um guia de tratamento químico — esse domínio pertence a profissionais certificados. É um protocolo de diagnóstico doméstico, sala por sala, para saber o que tem, em que fase está e se é preciso chamar alguém esta semana ou apenas vigiar na primavera.

Quem come o quê: as quatro famílias a distinguir
Confundir estes quatro culpados leva a decisões caras e inúteis. Os tratamentos, as obrigações legais e a urgência diferem radicalmente.
1. As formigas carpinteiras (Camponotus spp.)
Ao contrário de uma ideia persistente, elas não comem a madeira. Esvaziam-na para se alojarem, expulsando para fora uma serradura grosseira misturada com fragmentos de insetos. Na Europa, Camponotus ligniperda e Camponotus herculeanus são as espécies mais frequentes: formigas de 6 a 15 mm, muitas vezes bicolores (tórax avermelhado, abdómen preto), com o tórax regularmente arqueado visto de perfil.
O seu alvo: a madeira já húmida ou parcialmente degradada. Um lintel atrás de uma caleira furada, um rastilho sob um deck mal ventilado, um aro de janela onde a água se acumula há três invernos. Uma colónia de formigas carpinteiras é, portanto, antes de tudo, o sintoma de um problema de água. Tratar as formigas sem reparar a infiltração garante a recidiva.
Sinais a procurar:
- pequenos montes de serradura clara, fibrosa, «em lascas» ao pé de uma parede ou sobre um rodapé;
- um ruído seco de roçar perceptível de noite, encostando o ouvido à parede;
- operárias de grande porte a circular sozinhas, sem trilho alimentar visível na cozinha;
- no final da primavera, indivíduos alados no interior — sinal quase certo de uma colónia dentro do edifício e não fora dele.
2. O caruncho-das-casas (Hylotrupes bajulus)
O mais destrutivo dos xilófagos de estruturas de madeira na Europa continental. Ataca o alburno das resinosas (abeto, espruce, pinho): estruturas de telhado, caibros, forros, pavimentos. A larva escava durante 3 a 10 anos, às vezes mais, antes de emergir por um orifício oval de 6 a 10 mm.
Sinais:
- orifícios de saída ovais, não redondos, com bordos nítidos;
- serradura muito fina, quase pó de talco, aglomerada em pequenos cilindros;
- superfície da madeira que empola e afunda sob a pressão do dedo, por estarem as galerias logo sob a película exterior;
- ruído de roer irregular, audível em tempo quente num sótão silencioso.
3. Os carunchos (pequeno e grande)
O caruncho comum dos móveis (Anobium punctatum) deixa orifícios redondos de 1 a 3 mm e um pó fino como areia; ataca móveis, pavimentos, escadas, tanto em resinosas como em folhosas. O caruncho-grande (Xestobium rufovillosum) prefere madeiras antigas humedecidas e associadas a fungos: orifícios de 3 a 4 mm e danos profundos nas vigas de construções antigas. O seu famoso «tique-taque» de chamamento nupcial na primavera alimentou gerações de lendas de casas assombradas.
4. As térmitas (Reticulitermes spp.)
Categoria à parte, porque é regulamentada. As térmitas subterrâneas vivem no solo, sobem pelas fundações e quase não deixam orifícios visíveis: escavam por dentro, poupando uma fina película de superfície. Os seus indícios são os cordões de terra aglomerada nas paredes, nas caves e nas canalizações, e madeira que soa a oco apesar de parecer intacta.
As térmitas são objeto de um dispositivo legal específico: em França, o artigo L. 131-3 do Code de la construction et de l'habitation impõe a declaração na câmara municipal de qualquer presença constatada, e a venda de um imóvel situado numa zona delimitada por despacho prefeitoral exige um relatório sobre a presença de térmitas com menos de seis meses. Mais de 50 departamentos franceses estão abrangidos por tais despachos, sobretudo na fachada atlântica, no Sudoeste, no vale do Ródano e na Île-de-France.
O protocolo de inspeção de outono, sala por sala
Conte duas horas para uma casa unifamiliar. O equipamento cabe num balde: uma lanterna com feixe orientável potente, uma chave de parafusos fina ou um furador, uma fita métrica, um espelho telescópico de mecânico, um lápis e o telemóvel para fotografar e datar.
Etapa 1 — O sótão e a estrutura do telhado (o mais importante)
Inspecione com o feixe rasante, nunca de frente: a luz oblíqua revela os orifícios e os afundamentos de superfície que a iluminação direta apaga.
- Percorra pernas, travessas, madres e caibros à procura de orifícios, serradura e empolamentos.
- Teste com a chave de parafusos todos os pontos de apoio: apoios das madres nas paredes, encaixes, bases dos pendurais. É aí que a humidade se acumula e onde os ataques começam.
- Verifique o forro sob as telhas na periferia, zona clássica de condensação.
- Procure serradura no chão, sobre as vigas e as mantas de isolamento: é frequentemente o primeiro indício, mais visível do que o próprio orifício.
Uma chave de parafusos que penetra mais de um centímetro sem esforço numa madeira seca indica uma perda de secção estrutural. Fotografe, meça, não raspe mais.
Etapa 2 — As carpintarias exteriores e os elementos de madeira no exterior
Janelas de madeira, portadas, revestimentos, portões de garagem, decks, pérgolas, abrigos de jardim e pilhas de lenha. Aqui, o alvo é duplo: xilófagos e formigas carpinteiras.
- Qualquer peça de madeira em contacto direto com o solo ou com uma parede húmida é suspeita por princípio.
- A lenha armazenada contra a fachada é um erro clássico: serve de reservatório a carunchos, formigas e bichos-de-conta, a vinte centímetros do seu isolamento. Afaste-a e coloque-a sobre uma grelha de armazenamento elevada que deixe o ar circular por baixo.
- Verifique caleiras, tubos de queda e rufos: cada fuga prepara uma futura colónia.
Etapa 3 — Cave, caixa de ar, bases das paredes
Procure cordões de terra (térmitas), manchas de humidade, vigas de pavimento inferior que soam a oco. Numa caixa de ar, um espelho telescópico e uma lanterna bastam para inspecionar sem ter de rastejar. Registe a humidade relativa: acima de 70 % de forma duradoura, a madeira torna-se atrativa para o caruncho-grande e para as formigas. Um higrómetro de interior deixado uma semana nesse local vale mais do que uma impressão.
Etapa 4 — Pavimentos, escadas, móveis antigos
Os carunchos denunciam-se por pequenos montes de pó sob um móvel, que reaparecem depois da limpeza. É o teste decisivo: serradura que volta indica uma infestação ativa. Marque a lápis um orifício detetado, limpe e regresse três semanas depois.



